Mounjaro precisa de receita? Entenda a regra da Anvisa
Neste artigo
- O Mounjaro precisa de receita?
- Qual é a norma da Anvisa e desde quando ela vale?
- O que a receita precisa ter?
- Quanto tempo vale a receita?
- O que muda para você na farmácia?
- Por que a Anvisa criou essa regra?
- Existe atalho legal para pular a receita?
- Onde ver mais sobre custo e acesso?
- Perguntas frequentes
Você ouviu falar que a farmácia agora fica com a receita da caneta e bateu a dúvida. Quanto tempo a receita vale, a digital serve e por que tanta regra?
Sim. Desde 23 de junho de 2025, o Mounjaro e as outras canetas GLP-1 só são vendidos com receita, e a farmácia fica com uma via. A regra é da Anvisa e vale em todo o Brasil.
- O que a Anvisa decidiu e desde quando a regra vale
- O que a receita precisa ter e por quanto tempo ela vale
- O que muda para você na farmácia
- Por que a regra existe
- Por que não existe atalho legal, e como reconhecer uma oferta irregular
O Mounjaro precisa de receita?
Sim, precisa. O Mounjaro já era um remédio de venda sob prescrição. Desde 23 de junho de 2025, além de mostrar a receita, você deixa uma via dela na farmácia (Anvisa).
A regra vale para todo o grupo dos agonistas de GLP-1, o nome técnico dessas canetas. Na lista da Anvisa estão a tirzepatida (do Mounjaro), a semaglutida, a liraglutida, a dulaglutida e a lixisenatida (Anvisa, Perguntas & Respostas).
Qual é a norma da Anvisa e desde quando ela vale?
São duas normas de 23 de abril de 2025: a RDC nº 973 e a Instrução Normativa nº 360. Elas colocaram as canetas GLP-1 na mesma regra de retenção de receita que já valia para os antibióticos.
| Etapa | Data |
|---|---|
| Diretoria da Anvisa aprova a retenção, por unanimidade | 16/04/2025 |
| RDC 973/2025 e IN 360/2025 saem no Diário Oficial | 24/04/2025 |
| Farmácias passam a reter a receita | 23/06/2025 |
As datas estão no documento de perguntas e respostas da Anvisa e na cobertura da Agência Brasil. A regra vale para farmácias e drogarias públicas e privadas.
O que a receita precisa ter?
Não existe um modelo especial: vale o receituário do profissional ou do serviço de saúde. Mas a receita precisa ser legível, sem rasuras, em duas vias e com estes dados (Anvisa):
- seu nome completo, idade e sexo;
- o nome do remédio ou da substância, a concentração, a forma, a quantidade e como usar, tudo definido pelo profissional;
- nome, número no conselho profissional, endereço, telefone, assinatura e carimbo de quem prescreveu;
- a data em que a receita foi feita.
A receita também pode ser digital. Nesse caso, ela precisa ter a assinatura eletrônica avançada do profissional, e a farmácia precisa conseguir abrir o documento original para conferir a assinatura.

Quanto tempo vale a receita?
A receita vale 90 dias, contados da data em que foi feita. Esse prazo está na Instrução Normativa nº 360/2025 (Anvisa).
Em tratamento prolongado, a mesma receita pode ser usada em mais de um atendimento dentro dos 90 dias. Para isso, ela precisa indicar a quantidade para cada 30 dias. A cada atendimento, a farmácia anota na receita o que foi entregue.
Quantidade e tempo de tratamento são decisões do seu médico. Depois dos 90 dias, a receita vence e a continuidade é combinada na consulta.
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O que muda para você na farmácia?
Na prática, muda pouco para quem tem receita válida. A diferença é que a farmácia fica com uma via e registra a venda. Em resumo, pela norma:
- a receita precisa estar em duas vias, ou ser digital com assinatura eletrônica avançada;
- a farmácia retém uma via e anota a sua idade e o seu sexo no verso dela;
- a receita vale 90 dias a partir da data em que foi feita;
- a venda regular sai com nota fiscal, que ajuda a comprovar a origem do produto.
Dúvidas sobre a sua receita, como quantidade e tempo de uso, são com o médico que prescreveu.
A farmácia também passou a registrar essas vendas em livro ou sistema próprio. Quem descumpre as regras de controle fica sujeito a penalidades, como advertência e multa (Anvisa).
Por que a Anvisa criou essa regra?
Para proteger a sua saúde. Segundo a Anvisa, foi observado “um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas” (Anvisa).
Entre 2023 e 2025, a agência recebeu alertas sobre o uso das canetas sem acompanhamento médico e com forte apelo estético. A Anvisa também lembra que são remédios novos, cujo perfil de segurança a longo prazo ainda não é totalmente conhecido. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.
A retenção foi defendida por sociedades médicas, como a de Endocrinologia e Metabologia, a de Diabetes e a Abeso. Em nota, elas afirmaram que a venda dessas canetas sem receita, “apesar de irregular, é frequente” (Agência Brasil).
A receita não é só papel. Ela mostra que um profissional avaliou você, conhece sua história de saúde e vai acompanhar o tratamento. O Mounjaro tem indicações aprovadas pela Anvisa, e quem avalia se ele serve para você é o médico (Anvisa).
Existe atalho legal para pular a receita?
Não existe. Toda venda de canetas GLP-1 em farmácia exige receita válida e retida. Não há exceção para quem já usa a caneta nem para vendas pela internet.
Produtos que circulam fora desse caminho são alvo de fiscalização. Em abril de 2026, a Anvisa anunciou novas medidas contra a importação e a manipulação irregulares dessas canetas (Anvisa).
Caneta oferecida sem receita é irregular. Desconfie de quem vende sem pedir receita, só aceita Pix, não emite nota ou oferece caneta “importada” ou manipulada sem procedência. De janeiro ao início de abril de 2026, a Anvisa publicou 10 ações proibindo importação, comércio e uso de produtos irregulares com GLP-1.
No mesmo período, a agência fez 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras, com 8 interdições (Anvisa). Se vir uma oferta assim, você pode avisar a vigilância sanitária da sua cidade ou o Anvisa Atende, pelo 0800 642 9782.

Onde ver mais sobre custo e acesso?
Se você está organizando o orçamento, veja o guia preço do Mounjaro em 2026. Para saber se há cobertura pública ou do convênio, leia Mounjaro tem no SUS ou o plano de saúde cobre?.
Vai começar o tratamento? Veja as perguntas para levar à consulta. E, para reconhecer oferta irregular na internet, leia como identificar um site ou perfil falso. Outros guias de receita e segurança ficam em Guia seguro.
Perguntas frequentes
A farmácia fica com a minha receita do Mounjaro?
Sim. Desde 23 de junho de 2025, a farmácia retém uma via da receita de todas as canetas do grupo GLP-1, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.
Quanto tempo vale a receita do Mounjaro?
A receita vale 90 dias, contados da data em que foi feita. Dentro desse prazo, pode ser usada em mais de um atendimento se indicar a quantidade para cada 30 dias.
Receita digital de Mounjaro é aceita?
Sim, se tiver assinatura eletrônica avançada do profissional e a farmácia conseguir conferir o documento original.
A farmácia pode vender Mounjaro sem receita?
Não. A venda sem receita retida é irregular, e a farmácia que descumpre as regras fica sujeita a advertência e multa.
Ozempic e Wegovy também têm receita retida?
Sim. A semaglutida, substância desses remédios, está na mesma lista da Anvisa que a tirzepatida do Mounjaro.
Fontes consultadas
- Anvisa: Perguntas & Respostas sobre medicamentos agonistas do receptor do GLP-1, RDC 471/2021 e IN 360/2025 (1ª edição, junho de 2025)
- Anvisa: Medicamentos agonistas GLP-1 só poderão ser vendidos com retenção da receita (16/04/2025)
- Anvisa: Entra em vigor norma que prevê retenção de receita para medicamentos agonistas GLP-1 (23/06/2025)
- Agência Brasil: Anvisa obriga retenção de receita para venda de canetas como Ozempic (16/04/2025)
- Anvisa: Mounjaro (tirzepatida), nova indicação (09/06/2025)
- Anvisa: Novas medidas de combate a irregularidades na importação e manipulação de canetas emagrecedoras (06/04/2026)
- Agência Brasil: Conitec rejeita inclusão de canetas emagrecedoras no SUS (22/08/2025), trecho sobre a retenção de receita
Este conteúdo é educativo e não substitui a orientação do seu médico ou nutricionista. Nunca altere dose, frequência ou medicamento por conta própria.